TITULARES:   La nueva Panamá: mirando al cielo    |   Básquetbol, juego sagrado y ancestral 
SECCIONES:   Negocios    |   Culturama    |   Horizontes    |   En forma    |   Buena vida 
EN CADA EDICIÓN:    Perspectiva    |   Carta de la Directora    |   Motor    |   Última palabra  |  En Breve  |  Telón 

O novo Panamá: olhando para o céu

A Avenida de Balboa, paralela ao Oceano Pacífico, percorre qual uma coluna vertebral os bairros de Calidonia e Bella Vista, partes da nova Cidade do Panamá, onde estilizados gigantes formam um panorama urbano que rivaliza com os arranha-céus de Manhattan, Miami ou de Los Angeles. Em ambos os lados da nova Cidade do Panamá, convivem relíquias da história pré-colombiana e colonial que mesclam suas essências do passado com o esplendor do futuro.

Se alguém saltasse de paraquedas com os olhos vendados e aterrizasse na Avenida de Balboa, talvez acreditasse haver chegado a Miami, mas estaria equivocado em 1.800 quilômetros. Esta é a nova Cidade do Panamá, que clama aos céus com suas torres imensas, as quais competem entre si até que uma nova emergente presunçosa se junte ao panorama arquitetônico e as supere. Trinta andares, quarenta na seguinte, cinquenta tem a terceira, sessenta na mais recente e oitenta na próxima. A nova fronteira se encontra na zona chamada “Costa del Este”, tendo em vista a saturação de construções em Calidonia e Bella Vista e a constante demanda de moradias de primeira categoria.

Aos pés dessas torres impecáveis, pode-se escolher entre adquirir a última bolsa lançada por Louis Vuitton em um dos centros comerciais mais luxuosos da América Latina ou visitar a clínica odontológica com os tratamentos mais modernos ou cuidar dos pés no podólogo mais avançado ou consultar um endocrinologista para se manter jovem ou verificar a conta bancária no CitiBank ou no BBVA. Tudo isso a poucas quadras de distância entre o cirurgião plástico e o assessor financeiro nesses novos bairros de Bella Vista ou Calidonia.

Porteiros, guardas de segurança e vigilantes mantêm os edifícios com a eficiência de um bunker, para os que buscam nem tanto segurança, porque a cidade é segura, mas privacidade e anonimato; e todos estão sempre com um sorriso nos lábios, porque os panamenhos fazem do sorriso a sua bandeira.

De segunda a sexta-feira, em qualquer dos arranha-céus, a semana passa sem percebermos, com vista para um Pacífico às vezes sereno, talvez zangado, porém sempre presente; e seguro, porque, ao chegar o fim de semana, tudo se transforma. A menos de duas horas, pode-se desfrutar a praia ou o campo.

Não tivessem sido batizados de “diabos vermelhos” os multicoloridos ônibus de transporte público — antigos ônibus escolares dos E.U.A. revendidos após sua desativação pelo vizinho país do norte — o visitante não saberia dizer onde se encontrava. Esses ônibus, utilizados pela população local, acrescentam um pouco de cor aos elegantes bairros quando os atravessam como uma bala.

O apelido se refere na verdade aos motoristas dos ônibus e não aos veículos propriamente ditos, por causa da maneira que eles dirigem; eles sabem abrir caminho no trânsito, e qualquer panamenho experiente sabe disso muito bem. É um meio de transporte pontual para a população local.

Não muito longe dali, o mundo retrocede séculos inteiros, e as índias Kuna, que deixaram suas terras nas ilhas de San Blas para adentrarem esse labirinto de concreto, vendem seu artesanato, suas “molas” (painel de tecido colorido, cuja técnica é conhecida como aplicação inversa ou “reverse appliqué”) ricas em colorido e história, enquanto tagarelam em sua língua ancestral ataviadas em seus trajes típicos.

Regateiam como experientes mulheres de negócios por cinco dólares a mais ou a menos, enquanto, no outro Panamá, se discutem milhares de dólares nos preços das propriedades imobiliárias que fizeram muitos milionários da noite para o dia.

Dois mundos que coexistem sem maiores tensões e se complementam um ao outro. O artesanato Kuna tem hoje mais clientes que nunca, e os residentes e turistas descem de suas torres para se ambientarem num mundo típico por algumas horas. Tudo está em seu lugar. O sistema se realimenta.

A pequena península que forma o Casco Antigo da cidade do Panamá — ao sul do bairro novo de Calidonia — também avança mar adentro a partir dos bairros de Santa Ana e San Felipe; e ainda que restem trechos a serem restaurados, a recuperação da bela cidade velha segue seu curso pelo bom caminho.

Praças, ruas, igrejas, edifícios em estilo colonial vão recobrando o antigo esplendor. A Catedral Metropolitana, o Palácio Presidencial, o Teatro Nacional, o Museu de Arte Religiosa, a Igreja de San José, o Museu do Canal do Panamá, tudo se encontra no Casco Antigo, proporcionando uma vida cheia de cores à velha cidade onde um passeio se torna obrigatório.

Do outro lado da nova cidade do Panamá, ao norte, se localizam as ruínas de Panamá La Vieja, sempre olhando para o Pacífico. Como restos arqueológicos, as ruínas do que foi uma bela cidade de pedra se escondem entre o verdor natural da região, recriando-se no contíguo Jardim da Paz.

O Canal do Panamá se encontra a cerca de 20 minutos de carro, e impressiona a obra que permitiu a passagem entre os oceanos. Das instalações de Miraflores se observa como a abertura das eclusas permite o trânsito dos cargueiros. Uma obra monumental de assombrosa engenharia que eleva e abaixa o nível de água em diversos compartimentos em questão de minutos.

A marca deixada pelos norte-americanos antes de cederem o Canal ao Panamá é onipresente, mas os panamenhos souberam aproveitá-la e adaptá-la a seus usos e costumes com toda naturalidade. Por exemplo, a chamada “Zona Viva”, uma das áreas de diversão noturna mais populares e elegantes do Panamá, se localiza nos edifícios onde vivia a alta cúpula norteamericana. Discotecas, bares, centros de diversões ocupam agora os organizados e pulcros edifícios das residências oficiais; uma ironia da história.

A Amador Causeway é outra via cheia de vida — desta vez diurna — que termina na entrada do Canal de Panamá. Situada ao sul da cidade e enfiada no oceano, configura um passeio rodeado de água por todos os lados; podese alugar uma bicicleta e percorrê-la tranquilamente na companhia dos sons que vêm do mar. Ao longo do caminho surgem restaurantes, lojas e transeuntes, além de um gigante em plena construção, o Museu da Biodiversidade “Puente da Vida”, situado na área de Amador, justamente na boca “pacífica” do Canal do Panamá e projetado pelo arquiteto Frank O. Gehry.

Existe uma quantidade diversa de centros comerciais onde há compras para todos os gostos e orçamentos; e, naturalmente, a tradicional Zona Franca — já fora da cidade — onde centenas de comerciantes oferecem seus produtos livres de impostos. E não faltam os centros de artesanato onde se podem adquirir as tradicionais “molas” tecidas pelas índias Kuna.
  
Febrero-Marzo 2010
Ejemplares Anteriores
De nuestros socios
HardRockMarch
Otros enlaces
 

 


aacom.jpg

 

oneworld.jpg