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Saint Martin ou Sint Maarten?


Meu aniversário estava próximo, e eu queria presentear-me com umas boas férias. Foi assim que, sem pensar muito, comprei uma passagem para um destino que me era desconhecido.

Num território insular de 87 km2 com uma fronteira invisível que divide a ilha praticamente em metades, coexistem dois países: França e Holanda.

O lado holandês, Sint Maarten, conta com grandes balneários, condomínios modernos, o porto marítimo e o aeroporto internacional. Ainda que a postura social é conservadora, a vida noturna é agitada com clubes, discotecas e os cassinos são legalizados. Na Front Street, a rua principal de Philisburg, sua capital, se encontram centenas de lojas, a maioria livre de impostos. A moeda é o florim, o idioma é o holandês, e a eletricidade é de 110 volts com sistema americano.

Saint Martin, a parte francesa, é mais sossegada, dando ênfase à natureza e à fruição do mar e das praias. Suas cidades conservam a arquitetura crioula e, como bons franceses, o importante é “saber viver”; portanto, a boa gastronomia é uma das características dessa parte da ilha. Neste lado, os cassinos estão proibidos, a moeda é o euro, o idioma é o francês, a eletricidade é de 220 volts com sistema europeu e a postura é mais liberal socialmente. Além disso, a vida na ilha é harmoniosa pois todo mundo se adapta.

> Pequeno histórico
Foram encontrados vestígios que estabelecem seus primeiros habitantes no entorno de 3350 a. C. Em 11 de novembro de 1493, Cristóvão Colombo descobriu a ilha dando-lhe o nome do santo do dia, São Martinho de Tours. Os holandeses e os franceses repartiram a ilha pacificamente, quando o Tratado de Paris finalmente definiu os limites fronteiriços em 1841.

> Sob o sol
Meu primeiro passo foi juntar-me a um passeio guiado por toda a ilha a bordo de um buggy para reconhecer o terreno. O tour durou cinco horas, incluindo o período de almoço, e foi muito interessante pois observam-se as diferenças arquitetônicas entre os lados francês e holandês, e as respectivas condições de vida.

Decidi passar o dia seguinte em Marigot, a capital de Saint Martin. Ao longo do passeio encontramos butiques, pâtisseries, bistrôs e lojas duty free. Já era hora do almoço, de modo que nada melhor que ir a um lolo, um restaurante típico ao ar livre onde se fazem refeições de boa qualidade por um preço modesto. Um dos petiscos típicos dos lolos, tradição da culinária crioula na ilha, é o johnnycake, um pão plano frito ou ao forno.

No dia do meu aniversário, fui navegar em um veleiro mar adentro. Bordeamos a ilha britânica de Anguila e nos dirigimos à diminuta, porém preciosa, solitária ilha chamada Sandy Island de areias brancas e translúcidas águas azul-turquesa. Um miniparaíso. Dali navegamos até as impressionantes falésias de Crocus Bay onde, com o veleiro fundeado ao largo, deliciei-me com ótimos mergulhos na paisagem espetacular. E para o almoço, a tripulação havia preparado um leitão assado no convés enquanto navegávamos. É uma experiência recomendada com empenho.

> Sob a lua
A ilha é um amálgama de origens, de modo que a disponibilidade gastronômica abrange o número de nações e etnias representadas. Sem desmerecer a quantidade de bons restaurantes de Sint Maarten, a zona holandesa, não há dúvida de que a zona francesa leva vantagem, especialmente na vila de Grand-Case, em cujo bulevar principal existe uma grande concentração de restaurantes que chegam ao ponto de lhe fazer valer o título de Capital Gastronômica do Caribe. Entretanto, a efervecência fica mais no lado holandês com uma dezena de cassinos em Philipsburg, Maho Beach, Cupecoy e Simpson Bay, e bares com música nas mesmas áreas como Bamboo Bernies, Chri’s Café e Holland House, ou clubes como o Bliss e The Alley hang out!

> Eis aí tudo
Parece que tudo que é bom tem um fim. Entretanto, sempre sobra algo que teríamos gostado de fazer, mas não houve tempo. Já planejo uma próxima visita.
  
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